O ELUCIDARIO
3,5,7 LIFESTYLE| LUA CARAVEJADA| SURREAL NACIONALISMO X NACIONAL SURREALISMO| CULTURA COLAPSO| ENTEOGENOS| PSICOLDELIA PRIMITIVA| O CABELO DO DIABLO| A ROSA DA INSUBMISSAO| CRAS
3,5,7 LIFESTYLE
Os múltiplos planetas presentes nos hinos, estandartes e medalhas do Cvlto do Fvtvrv são inspirados na reflexão levantada recentemente por pesquisadores e intelectuais como Kalle Lasn* a respeito da impossibilidade de sustentar o ritmo de consumo e exploração. Se o mundo todo consumisse no mesmo ritmo de cidades como Nova York, São Paulo, Londres e Tóquio, nós precisaríamos de três planetas para suprir as demandas. Essa ideia também vem sendo difundida a partir de interpretações de textos religiosos que afirmam que a Terra está a serviço do homem e será purificada após o juízo final.

Não obstante, grande parte dos congressistas que votaram contra os tratados de Kyoto e Copenhaguen estão ligados à indústria do petró- leo e são adeptos a essas ideias.
LUA CARAVEJADA
Este satélite natural foi cenário de uma disputa acirrada na segunda metade do século 20. Em 1969, o homem alcançou a lua pela primeira vez, marcando o feito mais audacioso da corrida espacial. Esta poderia ter sido uma grande oportunidade para uma simbólica e literal mudança de ponto de vista, ou, ainda, ganho de perspectiva, ao observar que não há fronteiras e que vivemos em um ecossistema fechado, retroalimentado, no meio do espaço.
( Addendum )

É difícil imaginar se a históriada humanidade possui um fato que tenha proporcionado uma experiência para um salto quântico, expansão da consciência, ou aumento do entendimento humano. Acreditamos que esses processos podem acontecer, mas que podem demorar décadas, séculos ou talvez milênios.
Talvez um momento único que poderiaser um exemplo dessa singularidade foi quando o primeiro homem olhou a terra de fora, pisando na lua no dia 20 de julho de 1969.
CRAS
Talvez o sintoma mais claro do nosso tempo seja a procrastinação. Essa estranha ideia de que o futuro se resolverá no futuro.

Compreensível. A complexidade, a dimensão do problema, é tanta, que naturalmente preferimos lidar com tarefas mais à mão. Reciclar plástico e papel, pedalar bicicletas, comprar fair trade - atitudes reais, imediatas, que esculpem uma realidade mais otimista no presente.

Mas que servem mais como bálsamo para o sentimento de culpa individual do que para a crise civilizatória.

É como se nos tivéssemos “orgulho de fazer a nossa parte” enquanto arrumamos as gavetas e lavamos a louça - dentro de uma casa em chamas.
SURREAL NACIONALISMO X NACIONALISMO SURREAL
A bandeira como símbolo, quando criada, não tem valor algum. É necessário estar presente no imaginário das pessoas para adquirir significado. E este é dado pela repetição exaustiva, pela presença no território, pela altura em que é exibida ou pela inserção em um cenário específico que lhe associe valor e nobreza, como no alto do mastro, de um navio, de um prédio, ou, até mesmo, na lua.

Quanto mais nacionalista é um país, maior a presença de bandeiras nele. Além disso, os que são retratados segurando a bandeira geralmente representam um modelo a ser seguido, um exemplo dos valores. Já nesta imagem, quem ergue a bandeira é um detento, representante de uma indesejada e marginalizada classe da sociedade.

A bandeira cinzenta, atrás das cercas farpadas, aparece repetida inúmeras vezes nela mesma, uma versão ineficaz dos recursos de validação simbólica, como quando uma palavra é falada repetidamente e seu significado é gasto, servindo apenas para reafirmar um valor que em si não é efetivo.
CULTURA COLAPSO
Cultura significa cultivo. Qualquer coisa cultivada pelo homem é cultural, independentemente de juízo. Entretanto, há um entendimento equivocado de que a cultura é necessariamente algo bom, artístico, ou relacionado a tradições benéficas à sociedade, devendo ser preservada a todo custo. Usada como pretexto de extrema violência e tortura de pessoas, animais e do meio ambiente, o rótulo cultura sustenta ações como apedrejamento, mutilação genital, sexismo, corrupção, racismo, suborno, homofobia, entre tantos outros atos e costumes arraigados na sociedade que dificultam o processo de evolução.

O barco, cheio de livros e afundando, trata de um colapso proveniente do peso advindo da cultura nesse contexto de valores distorcidos e disfarçados.

A caravela também pode ser entendida como símbolo de colonização, , trazendo livros incumbidos de homogeneizar a diversidade de manifestações culturais de um local, de implementar uma verdade. Também é um fator cultural a própria atitude de um indivíduo ou de uma nação sentenciar uma ação alheia para depois intervir em nome do que é considerado bom ou certo. Sobre esse dilema, o que é pior? Queremos trazer à tona esse tipo de reflexão sobre manifestações culturais, porém achamos perigoso que esse tipo de julgamento seja usado como desculpa para qualquer tipo de intervenção militar. A história mostra que esse tipo de julgamento cultural pode e é usado como pretexto para ações bélicas que se mostraram posteriormente amplamente lucrativas para o interventor, deixando dúvidas sobre os reais motivos da ação.
ENTEOGENOS
Plantas, fungos e extratos vegetais e animais com propriedades psicoativas estão profundamente arraigados às práticas espirituais, medicinais e ritos de passagem de povos nativos que foram dizimados, tiveram sua cultura marginalizada e suas terras desapropriadas, dando lugar à lei, à cultura e à tradição do conquistador, cuja relação com a natureza é de controle e não de pertencimento.

Mais de quarto séculos depois do início da colonização das Américas, esse processo de discriminação se perpetua. Em 1961, a ONU sancionou a Convenção Única de Entorpecentes, que insere plantas ancestrais usadas nas práticas citadas acima no mesmo contexto de substâncias como crack, cocaína e heroína, piorando drasticamente a questão da marginalização da cultura dos povos nativos e privando inclusive a sociedade científica de realizar pesquisas e experimentos.
PSICOLDELIA PRIMITIVA
A versão bíblica para o início da linguagem, ou para os diferentes tipos de linguagem na Terra, conta que, em um certo momento, o homem tomado por arrogância resolveu construir uma torre que chegasse até os céus. Deus, vendo isso, se enfureceu e resolveu atrapalhar a obra fazendo com que cada homem passasse a falar uma língua diferente, de modo que o caos se instaurasse e a obra humana não fosse concluída.

Uma outra versão para essa mesma história, embasada cientificamente, mas igualmente não aceita academicamente, é sugerida pelo escritor e historiador Terence McKenna (1946 – 2000). Em algum momento da evolução anterior ao Homo Erectus, era comum famílias de primatas perseguirem manadas de grandes mamíferos através do rastro de dejetos.

Famintas, sem conseguir alcançar a caça, acabavam comendo os cogumelos que nasciam das fezes dos animais. Esse processo da ingestão do cogumelo Psilocybe Cubensis, altamente alucinógeno e psicodélico, teria estimulado a necessidade da comunicação e o início da linguagem.
O CABELO DO DIABO
Longos cabelos entrelaçados tomam conta de entidades antropomórficas. A imagem dos cabelos soltos pode remeter a uma abstração da realidade, à sensualidade e ao erotismo, ou mesmo ao movimento e à liberdade de expressão.

Na psicologia e na mitologia,a simbologia por trás dos pelos e cabelos está relacionada aos animais selvagens, ao instinto e às emoções que não podem ser contidas, que escapam do filtro da razão e dos dogmas. Talvez por isso, diferentes culturas e religiões mantém regras restritas para domar os cabelos, seja cobrindo-os totalmente, exigindo um corte específico ou proibindo qualquer corte.
A ROSA DA INSUBMISSAO
Vor v Zakone, ou ladrão pela lei, em tradução livre do russo, é um sistema de códigos feitos na pele, que conta a carreira criminal ou biografia do ladrão (vor). O símbolo máximo é a estrela da rosa dos ventos, comumente tatuada nos joelhos e indicando que o indivíduo não se ajoelha ou se submete a ninguém.

A estrela da Rosa do Ventos também é retratada em diferentes contextos na iconografia do Cvlto do Fvtvrv, como na entidade 3 Mundos e no Templo do Novo Ascetismo, no qual aparece nos joelhos de Cristo.

Ao trazer essa representação, pretendemos criar de imediato uma ruptura na mensagem, emancipando ambos os símbolos da carga histórica que carregam e possibilitando que nós, os receptores, lhe confiramos um novo significado.

Jesus na cruz representa o ato máximo de submissão na história do Ocidente, mas a mensagem é corrompida pela inserção de um símbolo de origem e significado oposto, fazendo referência à marginalidade e à insubordinação.

Em 3 Mundos, por sua vez, esse código simbólico é apresentado no joelho de uma alegoria do próprio Estado, símbolo da rigidez, em prol da preservação de valores ultrapassados.